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Ciência Delas é o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2026 e convida escolas, instituições e a comunidade científica a reconhecer a participação das mulheres na produção do conhecimento. Para os professores de Matemática, a proposta abre uma oportunidade de conectar referências femininas, investigação e práticas de participação em sala de aula.
As atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia estão previstas prioritariamente entre 26 de outubro e 1º de novembro de 2026, conforme a chamada divulgada pelo CNPq. Esse período pode orientar o planejamento de uma exposição, uma atividade investigativa ou uma conversa com profissionais das exatas.
O tema também permite observar a rotina da turma: quem costuma apresentar as soluções? Quem utiliza os instrumentos? Quem tem tempo para explicar uma ideia e retomá-la quando encontra uma dificuldade? Essas perguntas ajudam a planejar oportunidades de aprendizagem para todos.
Na edição de 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia destaca o protagonismo das mulheres na produção e na divulgação do conhecimento. Na escola, o tema pode conectar a história da ciência aos conteúdos que os estudantes estão aprendendo.
Uma possibilidade é escolher uma pesquisadora, conhecer seu trabalho e identificar os conhecimentos presentes em sua área. Medidas, tabelas, geometria e análise de dados podem aparecer em situações relacionadas à engenharia, à saúde e ao ambiente.
Ao selecionar uma referência, procure fontes institucionais e diferencie a contribuição histórica da atividade didática que você irá propor. Um modelo escolar pode ajudar a explorar um conceito sem reproduzir a pesquisa realizada pela cientista.
Em uma publicação de 2026, a UNESCO destaca que estereótipos e oportunidades limitadas continuam sendo obstáculos à participação de mulheres e meninas em ciência, tecnologia, engenharia e Matemática, áreas reunidas pela sigla STEM. A organização aponta a formação de professores, a mentoria e a presença de referências femininas entre as iniciativas de apoio. Leia a publicação da UNESCO.
O professor pode transformar essa reflexão em perguntas sobre as oportunidades oferecidas na própria aula. Observe quem assume os cálculos nos grupos, como as tarefas são distribuídas e quais estudantes costumam ter suas ideias discutidas pela turma.
Essas observações precisam considerar cada aluno. Uma menina pode gostar de Matemática e participar pouco das apresentações; outra pode assumir os registros, mas ter poucas oportunidades de explicar uma solução. Conversar com as estudantes ajuda a compreender essas situações sem presumir interesses ou dificuldades.
Conhecer mulheres que trabalharam com a Matemática pode ampliar o repertório da turma. Escolha exemplos variados e apresente o problema estudado, os conhecimentos utilizados e a colaboração envolvida no trabalho científico.

A matemática Katherine Johnson trabalhou na NASA e realizou cálculos de trajetórias para missões espaciais. Entre suas contribuições estão os cálculos para o voo de Alan Shepard, em 1961, e a verificação dos cálculos computacionais antes da missão de John Glenn, em 1962, conforme a biografia publicada pela NASA.
Sua trajetória permite conversar sobre a verificação de resultados e as responsabilidades de quem trabalha com modelos matemáticos. Para a aula, o professor pode propor a comparação de tabelas e representações gráficas, deixando claro que o exemplo escolar é uma simplificação criada para explorar esses conhecimentos.

Marília Chaves Peixoto foi uma matemática e engenheira brasileira, eleita para a Academia Brasileira de Ciências em 1951.
A instituição registra sua presença na história da ciência nacional. Conheça o perfil apresentado pela Academia Brasileira de Ciências.
Sua trajetória pode ser um ponto de partida para uma pesquisa sobre outras mulheres brasileiras nas exatas. A turma também pode conhecer professoras, estudantes universitárias e profissionais da região. Ao convidar uma participante, proponha perguntas sobre seu trabalho cotidiano, seus estudos e os problemas que ela ajuda a resolver.
A proposta abaixo foi elaborada para este artigo. Ela utiliza a construção de pontes de papel para trabalhar medidas, coleta de dados e comparação de resultados. Pode ser adaptada aos anos finais do Ensino Fundamental ou ao Ensino Médio, conforme o aprofundamento escolhido.
O desafio é investigar como diferentes formatos de uma folha de papel alteram a quantidade de massa que ela consegue sustentar entre dois apoios. Antes da construção, apresente uma referência feminina da engenharia ou de uma área relacionada à investigação escolhida.
Cada grupo deve utilizar folhas do mesmo tamanho e tipo, apoios com a mesma distância e o mesmo procedimento para acrescentar pequenas massas. Mantenha os materiais leves, próximos à mesa e adequados à idade da turma.
Os estudantes podem comparar uma folha plana e uma folha dobrada em sanfona. Utilize uma régua e uma balança ou pequenas massas de valor conhecido. Se esses recursos não estiverem disponíveis, compare a quantidade de objetos idênticos sustentados e registre a unidade escolhida, sem converter o resultado para gramas.
Antes de começar, teste os materiais e combine um critério de observação, como a maior massa sustentada por cinco segundos antes de a ponte ceder. Use uma folha nova a cada tentativa. Peça que os grupos registrem uma hipótese e descrevam o que será mantido igual. Isso ajuda a discutir quais condições permitem uma comparação entre os modelos.
Organize o trabalho para que todos tenham a oportunidade de construir, medir, registrar e interpretar. Alterne as responsabilidades entre os testes e acompanhe se cada integrante consegue participar das decisões.
Essas responsabilidades podem ser compartilhadas. O importante é que as meninas, assim como os demais estudantes, tenham acesso às etapas de investigação e à apresentação dos resultados.
Realize mais de um teste para cada formato. A tabela apresenta dados fictícios, criados apenas para ilustrar o registro. Os resultados reais precisam ser medidos pela turma e podem variar conforme os materiais e o procedimento.
| Formato da folha | Teste 1 | Teste 2 | Teste 3 | Média |
|---|---|---|---|---|
| Plana | 40 g | 50 g | 60 g | 50 g |
| Dobrada em sanfona | 60 g | 70 g | 80 g | 70 g |
Nesse exemplo, a média do segundo formato supera a do primeiro em 20 gramas. Tomando os 50 gramas do primeiro formato como referência, a diferença corresponde a 40%. A calculadora pode apoiar a conferência dessas operações, enquanto os estudantes explicam o significado dos valores.
Peça que a turma compare também os resultados individuais. Pergunte o que pode explicar a variação entre testes e quais mudanças no procedimento ajudariam a investigar melhor o problema. Três tentativas em uma atividade escolar oferecem um ponto de partida para a discussão, sem estabelecer uma conclusão geral sobre todos os materiais.
Cada grupo pode preparar um pequeno painel com a hipótese, o procedimento, os dados e uma conclusão acompanhada de suas limitações. Durante a apresentação, todos devem ter a oportunidade de explicar uma parte da investigação.
O painel pode integrar uma mostra de Ciência Delas na escola. Ao lado da atividade, inclua a referência feminina estudada e sua fonte. Essa organização conecta o conhecimento sobre as cientistas ao trabalho investigativo desenvolvido pelos alunos.
Depois da atividade, retome as observações sobre a participação. Pergunte às estudantes quais etapas despertaram interesse e em quais gostariam de ter mais oportunidades. Combine essa conversa com os registros individuais de aprendizagem.
Ao longo do ano, inclua referências femininas em diferentes conteúdos, alterne as responsabilidades nos grupos e ofereça feedback sobre as estratégias utilizadas. Convide os alunos a revisar uma tentativa e explicar o que aprenderam com ela.
Ciência Delas pode abrir essa conversa em outubro e inspirar um planejamento contínuo. O professor contribui ao criar oportunidades para que as meninas investiguem, utilizem ferramentas e reconheçam suas próprias possibilidades de atuação na Matemática e nas ciências.
Para ampliar o repertório de atividades matemáticas, conheça os planos de aula da CASIO Educação. Selecione propostas adequadas aos conteúdos da turma e planeje como cada estudante participará dos registros, dos cálculos e da discussão dos resultados.
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Ana Cláudia Cossini Martins
Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Maria Regina Duarte Lima
Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Paula Roberta Pereira da Silva
Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo