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Integrar a calculadora na sala de aula é uma possibilidade para ampliar as formas de explorar conteúdos matemáticos. Como esse recurso pode dialogar com outras abordagens de ensino? E de que maneira pode apoiar a investigação, a resolução de problemas e a compreensão dos conceitos? Essas perguntas fazem parte das reflexões de muitos professores.
Na prática docente, buscamos maneiras de tornar as aulas mais significativas, especialmente ao trabalhar conteúdos que permitem diferentes perspectivas algébricas, geométricas e aritméticas. Equações, inequações e funções, por exemplo, podem ser exploradas por meio de cálculos, representações, comparações e discussões sobre os resultados.
Nesse contexto, a calculadora pode compor um conjunto de recursos pedagógicos. Seu uso não precisa se limitar a executar operações: ela também pode ajudar a testar conjecturas, verificar resultados e observar como uma representação muda quando os valores são alterados. O papel do professor é planejar situações em que essas possibilidades contribuam para os objetivos de aprendizagem.
A Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, considera o uso de tecnologias digitais no desenvolvimento das competências dos estudantes. No ensino de Matemática, o documento menciona calculadoras e planilhas eletrônicas como ferramentas que podem apoiar a comparação de resultados, a construção de gráficos e a realização de cálculos estatísticos.
Merece destaque o uso de tecnologias, como calculadoras, para avaliar e comparar resultados, e planilhas eletrônicas, que ajudam na construção de gráficos e nos cálculos das medidas de tendência central.
BRASIL, 2018, p. 274.
Essa orientação permite pensar em atividades nas quais os estudantes não apenas calculam, mas também analisam o que os resultados representam. Por exemplo, podem estimar uma resposta antes de usar a calculadora, conferir o valor obtido e discutir possíveis diferenças entre estratégias. Assim, a ferramenta participa do raciocínio matemático e da interpretação dos resultados.
A BNCC também prevê situações em que os estudantes resolvam e elaborem problemas com e sem o uso da calculadora. A escolha de usar ou não esse recurso pode fazer parte do próprio planejamento didático, de acordo com o objetivo da atividade e com as aprendizagens que se deseja desenvolver.
Resolver e elaborar problemas que envolvam cálculos, com e sem uso de calculadora.
BRASIL, 2018, p. 300.
Em uma atividade com equações, por exemplo, a turma pode analisar quais valores satisfazem determinada igualdade e conferir as respostas. Ao estudar funções, os estudantes podem comparar valores em uma tabela, observar padrões e relacionar expressões algébricas a representações gráficas. Em inequações, podem testar valores e discutir quais pertencem ao conjunto solução.
Essas propostas ganham sentido quando a calculadora é integrada a uma pergunta que os estudantes precisam investigar. O professor pode pedir que expliquem por que escolheram determinado procedimento, comparem resultados ou identifiquem condições em que uma estratégia funciona. A conversa sobre o processo ajuda a evitar que a atividade se reduza à digitação de uma expressão e à cópia de uma resposta.
A abordagem STEM reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Ela pode ser compreendida de diferentes maneiras, como movimento ou abordagem pedagógica, mas tem como foco a integração entre essas áreas. Em uma proposta interdisciplinar, conceitos matemáticos podem ser mobilizados para investigar questões relacionadas a outros campos do conhecimento.
O artigo de Maaß, Geiger, Ariza e Goos discute o papel da Matemática na educação STEM e organiza essa relação em três frentes: o desenvolvimento de competências do século XXI, a modelagem matemática e a educação para a cidadania responsável. Os autores mostram a importância de reconhecer o lugar da Matemática dentro de propostas interdisciplinares, em vez de tratá-la apenas como uma ferramenta auxiliar.
Esses eixos podem orientar o planejamento de atividades. A modelagem matemática, por exemplo, envolve representar uma situação, definir variáveis, construir relações e interpretar os resultados no contexto do problema. A calculadora pode apoiar algumas etapas desse processo, como realizar operações, testar valores ou comparar cenários. As decisões sobre o modelo e a análise do que ele representa continuam dependendo dos estudantes e do professor.
O eixo da cidadania responsável também permite abordar temas que envolvem decisões e consequências sociais. Dependendo da proposta, podem surgir discussões sobre segurança financeira, prosperidade e consciência global. A escolha do contexto deve estar ligada aos objetivos pedagógicos e às questões que se pretende investigar com a turma.
Integrar uma ferramenta digital à aula exige pensar no que se quer que os estudantes aprendam. Uma possibilidade é começar com um problema, pedir que a turma antecipe resultados e, depois, usar a calculadora para testar as hipóteses. Em seguida, os estudantes podem comparar os valores encontrados, discutir estratégias e explicar o que concluíram.
Esse percurso ajuda a combinar diferentes formas de pensar. Um mesmo conteúdo pode ser representado por uma expressão, uma tabela, um gráfico ou uma descrição verbal. A calculadora pode facilitar a passagem entre algumas dessas representações e liberar tempo para observar padrões e formular novas perguntas. Cabe ao professor selecionar os recursos que fazem sentido para cada objetivo.
Também é importante considerar as condições de acesso e familiaridade dos estudantes com a tecnologia. Apresentar as funções necessárias, explicar como conferir as entradas e propor momentos de exploração orientada pode ajudar a turma a usar a calculadora com autonomia. O recurso deve estar a serviço da aprendizagem planejada, com espaço para que os estudantes expliquem suas escolhas.
A calculadora científica ClassWiz fx-991LA CW pode apoiar atividades que envolvam elaboração, resolução, comparação e análise de resultados. Entre as possibilidades estão trabalhar com diferentes expressões matemáticas, explorar tabelas numéricas e utilizar o QR Code para visualizar gráficos em um dispositivo compatível.
Esses recursos podem fazer parte de propostas investigativas, desde que estejam relacionados ao conteúdo e ao objetivo da aula. O uso da calculadora, por si só, não garante uma abordagem interdisciplinar ou investigativa. É a atividade planejada, junto às perguntas e à mediação do professor, que orienta os estudantes na análise matemática.
A integração da calculadora à sala de aula pode ampliar as maneiras de explorar equações, inequações e funções, além de abrir espaço para conexões com outras áreas. Ao combinar resolução de problemas, discussão de estratégias e tecnologias digitais, o professor pode criar situações em que os estudantes usem a Matemática para investigar, argumentar e atribuir significado ao que aprendem.
Explore possibilidades para o ensino de Matemática
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Ana Cláudia Cossini Martins
Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Maria Regina Duarte Lima
Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Paula Roberta Pereira da Silva
Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo