Calculadoras científicas e gráficas no ensino de Matemática

Maria Teresa Zampieri e Sueli Liberatti Javaroni
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19 de dezembro de 2023
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Tempo de leitura: 20 minutos

Calculadoras científicas e gráficas no ensino de Matemática

Calculadoras científicas e gráficas no ensino de Matemática podem apoiar a exploração de conteúdos, a experimentação e a comparação entre diferentes representações. Para que contribuam com a aprendizagem, precisam estar integradas a objetivos didáticos claros e à realidade de trabalho dos professores.

Este artigo apresenta uma discussão sobre um projeto temático voltado ao uso de calculadoras científicas e gráficas no Ensino Médio. O material original destaca a análise de documentos curriculares paulistas e registros de reuniões entre pesquisadores e professores da Educação Básica. A proposta relaciona tecnologias digitais, formação docente e elaboração de atividades que valorizem investigação e experimentação.

O que significa integrar a calculadora ao ensino?

Integrar uma calculadora ao ensino não significa apenas disponibilizar o aparelho durante a aula. A integração ocorre quando seu uso faz parte de uma sequência didática e contribui para que os alunos desenvolvam uma ideia matemática. O professor decide quando a ferramenta ajuda, quais perguntas orientam a atividade e como os resultados serão analisados.

Uma calculadora científica pode apoiar operações, estatística, funções e trigonometria. Uma calculadora gráfica pode permitir observar tabelas e gráficos, comparar parâmetros e investigar comportamentos. A escolha entre esses recursos depende do conteúdo, da infraestrutura, das regras da escola e do objetivo previsto.

A tecnologia também modifica o tempo disponível para diferentes etapas. Se cálculos repetitivos são realizados com apoio do aparelho, a aula pode reservar mais espaço para discutir padrões e interpretar resultados. Isso não elimina a necessidade de compreender os procedimentos. Ao contrário, torna importante explicar o que foi calculado e como a resposta se relaciona ao problema.

Planejamento conectado à realidade docente

O planejamento precisa considerar as condições em que o professor trabalha. Quantos estudantes há na turma? Quais recursos estão disponíveis? Há aparelhos suficientes? Existe conexão? Quanto tempo a atividade exige? Essas perguntas ajudam a evitar propostas que funcionam apenas em condições ideais.

Uma formação docente efetiva também precisa dialogar com situações reais de sala de aula. Cursos e encontros podem apresentar funções de calculadoras, mas os professores precisam de espaço para adaptar atividades, antecipar dificuldades e refletir sobre as respostas dos estudantes. A formação ganha sentido quando se relaciona aos conteúdos, ao currículo e às necessidades das turmas.

A colaboração entre pesquisadores e docentes pode aproximar investigação acadêmica e prática escolar. Professores conhecem os desafios cotidianos e as características de seus alunos. Pesquisadores podem ajudar a construir perguntas, analisar registros e sistematizar aprendizagens. Essa parceria pode apoiar a criação de propostas que sejam examinadas e aprimoradas ao longo do tempo.

Experimentação e investigação matemática

Atividades investigativas convidam os estudantes a formular previsões, testar exemplos e explicar padrões. Uma calculadora gráfica pode ajudar a observar o que ocorre quando parâmetros são alterados. Em uma função, a turma pode comparar tabelas e gráficos, identificar pontos importantes e discutir como a expressão se relaciona à representação visual.

A experimentação precisa ser acompanhada de perguntas. O que vocês esperavam observar? O que mudou quando o parâmetro foi alterado? Como poderiam conferir a hipótese? A resposta da calculadora está de acordo com a expressão digitada? Essas perguntas ajudam a transformar a interação com o aparelho em investigação matemática.

Também é necessário planejar uma etapa de comunicação. Os estudantes podem registrar procedimentos, apresentar conjecturas e comparar estratégias. O professor pode destacar conceitos formais após a exploração, conectando os registros da turma à linguagem matemática. A ferramenta não substitui esse trabalho de sistematização.

O que analisar em uma proposta didática

Ao elaborar uma atividade com calculadora, vale examinar:

  • Qual conteúdo matemático será explorado e o que se espera que os alunos compreendam;
  • Que tarefa levará os estudantes a tomar decisões, em vez de apenas seguir instruções;
  • Como a calculadora pode apoiar a investigação ou a visualização;
  • Quais conhecimentos prévios são necessários;
  • Como os resultados serão registrados, discutidos e avaliados;
  • Que alternativa será usada caso algum recurso técnico não esteja disponível.

Essa análise ajuda a construir propostas coerentes e possíveis de realizar. Também permite distinguir o objetivo matemático do objetivo técnico. Aprender a localizar um menu pode ser necessário, mas não deve ocupar todo o tempo destinado à compreensão do conceito.

Tecnologia e avaliação

A avaliação pode acompanhar tanto os resultados quanto o percurso. O professor pode observar se os estudantes compreenderam a pergunta, selecionaram dados, utilizaram a calculadora de modo adequado e interpretaram as respostas. Uma justificativa escrita, uma discussão em grupo ou a comparação de estratégias pode revelar aprendizagens que um resultado isolado não mostra.

As regras de avaliações externas e institucionais também precisam ser consideradas. O uso de uma calculadora em uma atividade pedagógica não significa que ela estará autorizada em toda prova. A escola deve comunicar critérios com clareza e diferenciar os objetivos de aprendizagem das normas específicas de cada avaliação.

Uma agenda de trabalho colaborativo

O texto original enfatiza que propostas de uso de calculadoras podem ser desenvolvidas em parceria com professores da Educação Básica e pesquisadores. Uma agenda colaborativa pode começar com a escolha de um conteúdo, seguir para a elaboração de uma tarefa, incluir aplicação e observação e terminar com uma análise coletiva do que os estudantes fizeram.

Esse percurso permite rever a atividade com base em evidências da aula. Os registros dos alunos, as dúvidas e as estratégias usadas podem orientar uma nova versão da proposta. A colaboração não elimina diferenças entre contextos escolares; ela ajuda a tornar essas diferenças parte da reflexão.

As calculadoras científicas e gráficas podem ampliar possibilidades de ensino quando o planejamento articula recurso, conteúdo e formação docente. A experimentação e a investigação ganham espaço quando os estudantes são convidados a explicar o que observam e a relacionar os resultados a ideias matemáticas.

O resumo apresentado nesta página é baseado no trabalho completo disponível nos anais do evento. Leia o ensaio teórico sobre calculadoras científicas e gráficas no ensino de Matemática.

Créditos: Artigo produzido pelas pesquisadoras Maria Teresa Zampieri e Sueli Liberatti Javaroni, doutoras em Educação Matemática pelo PPGEM-UNESP, em colaboração com Leandra dos Santos e Bruno de Moraes Turci.

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"Porque a BNCC não te diz como fazer. A BNCC diz que é importante que se use [calculadoras]. É importante que se leve para sala de aula as tecnologias, a calculadora ou uma planilha. Mas o como fazer, isso ela [a BNCC] não faz. O como fazer é o que a gente faz na Casio. "

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Ana Cláudia Cossini Martins

Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

"Ele [o estudante] precisa ter todo um conhecimento matemático para que ele possa inserir os comandos na calculadora. A medida que a gente vai trabalhando com esses comandos matemáticos, ele vai desenvolvendo o seu raciocínio lógico-matemático ."

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Maria Regina Duarte Lima

Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

"Eu fico ansiosa esperando cada formação, porque eu saio renovada e aprendendo mais a cada formação. Porque nós educadores somos eternos estudantes."

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Paula Roberta Pereira da Silva

Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo