Ferramentas digitais para professores de Matemática: como escolher e usar

Profa. Dra. Juliana Çar. Stal
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19 de dezembro de 2023
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Tempo de leitura: 26 minutos

Ferramentas digitais para professores de Matemática: como escolher e usar

As ferramentas digitais para professores de Matemática podem apoiar o planejamento, a exploração de conceitos e a discussão de diferentes estratégias. Calculadoras científicas, calculadoras gráficas, emuladores e ambientes on-line oferecem possibilidades variadas, mas a escolha deve partir do objetivo de aprendizagem e das condições reais da turma.

Ter acesso a uma ferramenta não garante que ela contribua para a aula. É preciso decidir o que os estudantes farão com ela, que ideia matemática será explorada e como os resultados serão discutidos. Quando a tecnologia entra apenas para deixar a atividade mais moderna, sem relação clara com o conteúdo, pode acabar ocupando tempo sem ampliar a compreensão.

Comece pelo objetivo de aprendizagem

Antes de selecionar um recurso, formule o que os alunos deverão compreender ou conseguir fazer ao final da atividade. O objetivo pode ser comparar diferentes representações de uma função, analisar uma tendência em dados, investigar relações trigonométricas ou conferir cálculos em uma situação-problema.

Depois, avalie se a ferramenta escolhida ajuda a alcançar esse objetivo. Uma calculadora científica pode apoiar cálculos, tabelas e análises estatísticas. Uma calculadora gráfica pode permitir observar como alterações em uma expressão modificam o gráfico. Um software de geometria dinâmica pode ajudar a investigar propriedades de figuras. Cada recurso oferece formas distintas de interação.

Também vale considerar se os estudantes conhecem a ferramenta. Se boa parte da aula precisar ser dedicada a aprender comandos, talvez seja necessário apresentar o recurso antes ou escolher uma atividade mais simples. A familiaridade técnica não precisa ser perfeita, mas os alunos devem conseguir concentrar atenção na ideia matemática.

Calculadora científica, gráfica e emulador

A calculadora científica pode ser utilizada em operações, estatística, trigonometria, funções e outras atividades. Ela é especialmente útil quando o cálculo não é o objetivo principal, mas os estudantes ainda precisam interpretar os resultados e relacioná-los à situação estudada.

A calculadora gráfica pode reunir recursos para construir tabelas e observar representações gráficas. Ao variar os coeficientes de uma função, por exemplo, os alunos podem comparar o que acontece com a inclinação, a posição de uma reta ou o formato de uma parábola. A exploração precisa vir acompanhada de perguntas: o que mudou? O que permaneceu? Como os valores da tabela se relacionam ao gráfico?

Um emulador reproduz no computador a interface e as operações de uma calculadora compatível. Esse recurso pode ser útil para demonstrações coletivas, aulas em que o aparelho físico não está disponível para todos ou preparação de materiais didáticos. Antes de planejar a atividade, confira os requisitos técnicos, as condições de licença e a disponibilidade do emulador para o modelo usado.

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Captura de tela ilustrativa do ClassPad Math. A interface e os recursos disponíveis podem variar conforme atualizações e configurações da plataforma.

Como solicitar seu emulador

A licença do emulador é disponibilizada gratuitamente para professores que atendam aos requisitos do programa. Para solicitá-la, é necessário ter um CASIO ID e cadastro no CASIO Teacher Members. Os dois registros são necessários para obter o código e professores cadastrados podem solicitar a licença anualmente.

  1. Acesse a página oficial de solicitação de emulador e escolha a opção para registrar seu CASIO ID, caso ainda não tenha uma conta;
  2. Conclua também seu cadastro no CASIO Teacher Members;
  3. Volte à página de solicitação, selecione o país ou região e o modelo desejado, faça login e siga as instruções do formulário para solicitar a licença.

A solicitação depende dos países e modelos disponíveis na lista. Confira as opções exibidas antes de iniciar o pedido.

O ClassPad.net pode complementar algumas experiências com calculadoras CASIO, inclusive na visualização de gráficos a partir de códigos QR gerados por modelos compatíveis. Como os recursos e a disponibilidade podem variar por produto e região, confirme as informações atuais na página oficial antes de orientar estudantes.

Planeje a atividade com a tecnologia

Uma atividade pode seguir quatro movimentos. Primeiro, apresente uma pergunta ou situação que exija investigação. Depois, convide a turma a registrar previsões e estratégias antes de abrir a ferramenta. Em seguida, os alunos testam valores, organizam resultados e comparam o que encontraram. Por fim, explicam como interpretam os dados e verificam se a resposta faz sentido.

Imagine uma turma investigando as funções seno e cosseno. Os estudantes podem prever como os valores variam em um intervalo, gerar uma tabela e observar os gráficos. A ferramenta agiliza a produção de representações, mas a análise depende de comparar períodos, pontos de máximo e mínimo e relações entre as funções.

Esse tipo de sequência ajuda a manter o foco no pensamento matemático. Os alunos não precisam apenas seguir instruções de botões; precisam explicar por que escolheram determinado intervalo, o que a tabela evidencia e como o gráfico apoia ou contradiz a hipótese inicial.

ClassPad.net
Captura de tela ilustrativa do ClassPad Math. A interface e os recursos disponíveis podem variar conforme atualizações e configurações da plataforma.

Avalie condições de acesso e participação

Ao escolher recursos digitais, considere os aparelhos disponíveis, a conexão à internet, o tempo de aula e as necessidades de acessibilidade. Uma atividade não deve depender de uma condição que parte da turma não consegue cumprir. Quando o acesso individual não é possível, os estudantes podem trabalhar em grupos, alternar papéis ou analisar uma demonstração projetada pelo professor.

Também é importante oferecer instruções claras e alternativas. Se um site não abrir ou se um equipamento falhar, a atividade ainda deve permitir discutir a ideia central. O professor pode preparar uma tabela de dados, um registro impresso ou uma versão de exploração em duplas.

A participação fica mais equilibrada quando os grupos dividem tarefas: uma pessoa opera o recurso, outra registra dados, outra verifica os cálculos e outra organiza a explicação. Os papéis podem ser alternados para que todos experimentem a ferramenta e contribuam com o raciocínio.

Proteção de dados e uso responsável

Ferramentas digitais podem coletar informações de usuários. Antes de solicitar que estudantes criem contas ou informem dados pessoais, verifique as regras da instituição e as políticas do serviço. Prefira recursos aprovados pela escola e evite inserir dados identificáveis em plataformas sem autorização.

O professor também pode estabelecer combinados sobre uso dos dispositivos. A turma deve saber quando o aparelho será usado, quais páginas ou aplicativos serão necessários e como a tecnologia se conecta à tarefa. Essas orientações reduzem distrações e ajudam a criar um ambiente de trabalho seguro e focado.

Como avaliar se a ferramenta ajudou

Depois da aula, observe se os estudantes conseguiram explicar melhor o conceito, formularam novas perguntas ou identificaram padrões que seriam difíceis de perceber com o procedimento usado anteriormente. A ferramenta pode não ser necessária em toda etapa; em alguns momentos, um esboço manual ou uma conversa coletiva é mais adequado.

Peça que os alunos comparem a previsão inicial com os resultados e registrem o que aprenderam. Esse registro permite avaliar se a tecnologia foi integrada ao raciocínio ou usada apenas para produzir respostas. O critério não é a quantidade de recursos digitais empregados, mas a qualidade da aprendizagem que a atividade favoreceu.

Ferramentas digitais para professores de Matemática têm mais valor quando ampliam a investigação, as representações e a discussão. Com objetivos claros, atenção ao acesso e espaço para interpretação, calculadoras e ambientes on-line podem fazer parte de uma aula planejada e significativa.

Sobre a autora

Juliana Çar Stal é professora de Matemática da Educação Básica e doutoranda em Educação Matemática pela UNESP.

Referências

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação. Brasília, 2018.
ROSA, M. Cyberformação com professores de Matemática: interconexões com experiências estéticas na cultura digital. In: ROSA, M.; BAIRRAL, M. A.; AMARAL, R. B. (org.). Educação Matemática, Tecnologias Digitais e Educação a Distância: pesquisas contemporâneas. São Paulo: Livraria da Física, 2015, p. 57–96.

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"Porque a BNCC não te diz como fazer. A BNCC diz que é importante que se use [calculadoras]. É importante que se leve para sala de aula as tecnologias, a calculadora ou uma planilha. Mas o como fazer, isso ela [a BNCC] não faz. O como fazer é o que a gente faz na Casio. "

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Ana Cláudia Cossini Martins

Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

"Ele [o estudante] precisa ter todo um conhecimento matemático para que ele possa inserir os comandos na calculadora. A medida que a gente vai trabalhando com esses comandos matemáticos, ele vai desenvolvendo o seu raciocínio lógico-matemático ."

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Maria Regina Duarte Lima

Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

"Eu fico ansiosa esperando cada formação, porque eu saio renovada e aprendendo mais a cada formação. Porque nós educadores somos eternos estudantes."

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Paula Roberta Pereira da Silva

Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo