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O uso da calculadora em outros países não segue um único modelo: regras de sala de aula, orientações curriculares e permissões em provas variam conforme a etapa de ensino e o tipo de avaliação. Observar essas diferenças ajuda a compreender como cada sistema incorpora a tecnologia ao ensino de Matemática, sem transformar uma política local em regra universal.
A questão principal não é apenas saber se a calculadora está presente na escola. Também é preciso perguntar em que situações ela é utilizada, quais aprendizagens se espera desenvolver e como professores e estudantes compreendem seu papel. Uma ferramenta pode ser aceita em determinada atividade e restrita em uma prova, por exemplo. As regras podem mudar entre etapas escolares, disciplinas e tipos de avaliação.
A comparação internacional ajuda a perceber que o debate sobre calculadoras faz parte de questões mais amplas: o que se espera que os alunos aprendam, como os currículos integram tecnologias e quais conhecimentos são avaliados. Quando observamos outro contexto, podemos formular perguntas sobre nossas próprias práticas e reconhecer que uma decisão pedagógica depende de objetivos e condições concretas.
Essa comparação exige cuidado. Países não têm necessariamente uma única regra para todas as escolas e provas. Mesmo quando há diretrizes nacionais, redes locais, instituições e exames podem adotar orientações específicas. Por isso, expressões como “em determinado país sempre se usa calculadora” podem ocultar diferenças importantes.
O texto original deste artigo apresentava exemplos relacionados aos Estados Unidos, a Portugal e à Espanha. Como as regras curriculares e de avaliação podem ser atualizadas, afirmações específicas sobre obrigatoriedade ou permissão devem ser conferidas nas fontes oficiais vigentes antes de serem publicadas como informação atual. A discussão pedagógica continua útil, mas cada exemplo nacional precisa indicar a etapa, o tipo de avaliação e a data da regra consultada.
O currículo define conhecimentos e habilidades que os estudantes devem desenvolver. A calculadora pode apoiar parte desse percurso, por exemplo, permitindo testar valores, verificar cálculos, analisar dados ou comparar representações. O recurso não determina sozinho como a aula será conduzida. A aprendizagem depende das tarefas propostas e das perguntas que orientam a exploração.
As avaliações também têm objetivos diferentes. Uma prova pode querer verificar cálculo mental, domínio de algoritmos, compreensão conceitual ou aplicação em um problema. A permissão de calculadoras deve ser entendida dentro desse propósito. Uma restrição em uma avaliação específica não significa necessariamente que a ferramenta não tenha lugar no ensino; da mesma forma, a autorização não torna seu uso adequado em qualquer situação.
Ao comparar políticas educacionais, vale separar pelo menos quatro aspectos: uso em sala de aula, uso em atividades de casa, uso em avaliações escolares e uso em exames nacionais ou de acesso à educação superior. Essa distinção impede conclusões apressadas e ajuda professores e famílias a entenderem o alcance de cada regra.
Quando o objetivo é explorar padrões ou compreender relações, a calculadora pode reduzir o tempo gasto em operações repetitivas. A turma pode observar como uma sequência varia, analisar dados de um experimento ou verificar o efeito de alterar um parâmetro. Com isso, ganha espaço para explicar por que um resultado ocorre e relacionar o procedimento ao conceito estudado.
Em uma investigação sobre funções, por exemplo, os alunos podem escolher alguns valores de entrada, calcular as saídas e organizar os pares em uma tabela. A partir da tabela, podem discutir crescimento, regularidade e possíveis relações entre variáveis. Se houver recurso para visualizar gráficos, a turma poderá relacionar diferentes representações. O professor pode pedir previsões antes de utilizar a ferramenta e solicitar que os estudantes comparem as previsões com os resultados.
Na estatística, a calculadora pode apoiar a organização e a análise de conjuntos de dados. O ponto central não é somente obter média ou desvio, mas interpretar o que as medidas revelam e quais limites possuem. Os estudantes precisam avaliar de onde vieram os dados, se representam a situação analisada e se a conclusão é sustentada pelas informações disponíveis.
Professores e coordenadores podem usar a comparação internacional como ponto de partida para conversas locais. Algumas perguntas ajudam a tornar o debate concreto:
Essas perguntas evitam tratar a discussão como uma escolha simples entre permitir ou proibir. A escola pode definir orientações coerentes com o currículo, explicar as regras de cada avaliação e planejar atividades em que a tecnologia seja usada com intencionalidade.
Antes de citar uma regra de outro país, procure a fonte oficial responsável pelo currículo ou pela avaliação. Confira a data do documento, o nível escolar a que se aplica e se existem exceções. Uma notícia ou um relato institucional pode ajudar a localizar o assunto, mas não substitui a norma original quando a afirmação envolve obrigatoriedade ou permissão em exames.
Também é importante diferenciar uma prática observada em algumas escolas de uma política nacional. Um estudo de caso pode mostrar como docentes usam calculadoras em determinado contexto, mas não permite concluir que o país inteiro adote o mesmo método. Ao apresentar uma comparação, indique o recorte e evite generalizações.
A experiência de outros sistemas não oferece uma fórmula pronta para a realidade brasileira. Ela ajuda a observar possibilidades, limites e escolhas que podem ser debatidas com base em objetivos pedagógicos. A BNCC inclui tecnologias como recursos que podem apoiar a aprendizagem matemática, mas cabe à escola e ao professor planejar como incorporá-las de modo coerente ao conteúdo e às condições da turma.
Uma discussão produtiva considera simultaneamente aprendizagem, acesso, formação docente e avaliação. Quando esses elementos são tratados juntos, a calculadora pode ser analisada como parte de uma proposta de ensino, e não apenas como um objeto que aparece ou desaparece da sala.
A comparação internacional deve continuar aberta à revisão. Currículos e regras mudam, e as afirmações específicas precisam ser verificadas no momento da publicação. O debate pedagógico, porém, permanece: como usar recursos tecnológicos para apoiar a compreensão, a resolução de problemas e a participação dos estudantes?
Juliana Çar Stal é professora de Matemática da Educação Básica e doutoranda em Educação Matemática pela UNESP.
SMOLE, Katia; CHICA, Cristiane; ISHIHARA, Cristiane. Usar ou não usar a calculadora em sala de aula. Mathema, 2019.
CASIO Educação. Professores de toda Espanha debatem em Barcelona sobre o uso das calculadoras em sala de aula.
CASIO Educação. Conheça a calculadora científica e saiba os benefícios de utilizá-la em sala de aula.
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Ana Cláudia Cossini Martins
Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Maria Regina Duarte Lima
Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Paula Roberta Pereira da Silva
Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo