Tecnologia e resolução de problemas na aula de Matemática

Profa. Dra. Juliana Çar. Stal
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18 de dezembro de 2023
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Tempo de leitura: 23 minutos
Calculadora científica e gráfica

Tecnologia e resolução de problemas na aula de Matemática

A tecnologia e a resolução de problemas podem caminhar juntas quando os recursos digitais ajudam os estudantes a investigar uma situação, testar estratégias e interpretar resultados. Nesse processo, a calculadora participa do raciocínio: ela permite explorar cálculos e comparar hipóteses, enquanto as decisões matemáticas continuam sob responsabilidade dos alunos.

Uma conta apresentada para aplicação direta de um algoritmo pode ser útil para praticar um procedimento. Já uma situação-problema exige que o estudante compreenda o contexto, identifique o que precisa descobrir e escolha como avançar. A diferença está no tipo de pensamento solicitado. Em uma situação aberta, o caminho não aparece pronto no enunciado e pode haver mais de uma estratégia adequada.

O que caracteriza uma situação-problema?

Uma situação se torna um problema quando a pessoa ainda não dispõe de um procedimento imediato para resolvê-la. É necessário compreender os dados, relacioná-los ao que já se sabe, formular caminhos possíveis e verificar se a resposta faz sentido. Por isso, resolver problemas envolve reflexão, tomada de decisão e comunicação, além de cálculo.

O trabalho pode ser organizado em etapas que se influenciam mutuamente. Primeiro, a turma interpreta a situação e identifica a pergunta. Depois, seleciona informações importantes, levanta hipóteses e propõe estratégias. A solução é executada, conferida e explicada. Se a verificação revelar uma inconsistência, os estudantes podem voltar às etapas anteriores e revisar o plano.

Essas etapas não precisam funcionar como uma receita rígida. Uma turma pode perceber, durante os cálculos, que interpretou mal uma informação; outra pode testar uma estratégia e abandoná-la ao notar que não responde à pergunta. Revisar o percurso faz parte da resolução.

O que muda quando a calculadora participa?

Usar uma calculadora apenas para conferir o resultado final é diferente de incorporá-la à investigação. Quando ela participa do processo, os estudantes precisam decidir quais operações realizar, quais valores inserir e como interpretar as respostas. O recurso executa cálculos, mas não define o que o problema está perguntando nem escolhe uma estratégia apropriada.

Essa relação pode ser chamada de pensar com a tecnologia. A calculadora amplia o que a turma consegue testar em determinado tempo. Em vez de repetir muitos cálculos manuais, os alunos podem comparar casos, observar padrões e discutir o significado dos resultados. O professor continua essencial para propor boas perguntas e ajudar a turma a relacionar as representações numéricas, algébricas e gráficas.

A ferramenta só contribui quando existe uma intenção pedagógica. Antes de planejar a aula, vale perguntar: qual ideia matemática quero que os estudantes compreendam? O que a calculadora torna mais visível? Que decisões continuarão a cargo da turma? Como os alunos explicarão o que descobriram?

Um exemplo com uma situação financeira

Considere uma atividade sobre uma pessoa que deposita uma quantia mensal em uma conta com rendimento. Um exercício pode pedir apenas que a turma calcule uma expressão. Uma situação-problema pode perguntar quanto haverá após determinado período, como os depósitos e os juros alteram o total e quais hipóteses precisam ser consideradas.

Para responder, os estudantes precisam distinguir o depósito inicial dos depósitos posteriores, identificar a taxa e o intervalo de capitalização e decidir como representar a evolução do saldo. Também podem comparar uma situação com depósitos mensais a outra em que há apenas um valor inicial. A calculadora ajuda a executar as operações e verificar a tabela de valores, mas a interpretação depende de compreender o que cada coluna representa.

O professor pode propor que os grupos anotem suas hipóteses antes de calcular. Em seguida, eles registram a estratégia, comparam resultados e explicam por que os valores aumentam de determinada maneira. Se dois grupos chegarem a respostas distintas, a diferença abre espaço para verificar as premissas: todos consideraram o mesmo número de depósitos? A taxa foi aplicada ao saldo correto? O período começa antes ou depois do primeiro depósito?

Não é necessário transformar a atividade em uma aula de Matemática Financeira completa. O exemplo pode ser ajustado ao conteúdo já estudado, desde que o desafio convide os estudantes a interpretar a situação e justificar o método escolhido.

Como planejar uma atividade investigativa

Comece por uma pergunta relevante para o conteúdo. Uma boa proposta oferece informações suficientes para iniciar o trabalho, mas ainda exige que os alunos decidam como usá-las. Evite explicar antecipadamente cada operação se o objetivo for que a turma planeje o caminho.

Durante a atividade, circule pelos grupos e faça perguntas que ajudem os estudantes a explicitar o raciocínio: que informação vocês ainda precisam? Por que escolheram essa operação? O resultado é plausível? Como poderiam conferir de outra forma? Essas intervenções mantêm o protagonismo da turma e ajudam a tornar visíveis as estratégias.

Ao final, reserve tempo para comparar soluções. A resposta correta é importante, mas também importa observar como cada grupo interpretou o enunciado, quais representações utilizou e como verificou o resultado. A discussão coletiva permite nomear conceitos e mostrar que uma ferramenta pode apoiar diferentes caminhos de resolução.

Como avaliar o processo

A avaliação pode considerar mais do que o resultado numérico. Observe se o estudante compreendeu a pergunta, selecionou dados pertinentes, explicou a estratégia, usou a calculadora de modo coerente e verificou a resposta. Uma atividade curta pode incluir uma justificativa escrita ou uma apresentação do percurso, além do cálculo.

Também é útil registrar as dúvidas que apareceram. Se muitos alunos inserirem valores sem relacioná-los ao contexto, talvez seja necessário trabalhar leitura e modelagem antes de avançar. Se a turma souber calcular, mas tiver dificuldade para explicar o resultado, vale planejar uma atividade que conecte expressões, tabelas e linguagem verbal.

A tecnologia não substitui a compreensão conceitual nem o papel do professor. Ela oferece outras possibilidades de exploração e pode liberar tempo para comparação, argumentação e análise. Quando a atividade parte de uma pergunta clara, a calculadora deixa de ser apenas um atalho e passa a integrar uma experiência de aprendizagem.

Para continuar a discussão, consulte os planos de aula com calculadoras científicas disponíveis na página Planos de Aula CASIO.

Sobre a autora

Juliana Çar Stal é professora de Matemática da Educação Básica e doutoranda em Educação Matemática pela UNESP.

Referências:

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação. Brasília, 2017.

DEAKIN UNIVERSITY. Problem solving techniques: steps and methods.

POLYA, George. A arte de resolver problemas. Tradução de Heitor Lisboa de Araújo. Rio de Janeiro: Interciência, 2006.

ROSA, M. Cyberformação com professores de Matemática: interconexões com experiências estéticas na cultura digital. In: ROSA, M.; BAIRRAL, M. A.; AMARAL, R. B. (org.). Educação Matemática, Tecnologias Digitais e Educação a Distância: pesquisas contemporâneas. São Paulo: Livraria da Física, 2015, p. 57–96.

MASSUCATO, M.; MAYRINK, E. D. Qual a diferença entre problema e exercício? Gestão Escolar, 2015.

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"Porque a BNCC não te diz como fazer. A BNCC diz que é importante que se use [calculadoras]. É importante que se leve para sala de aula as tecnologias, a calculadora ou uma planilha. Mas o como fazer, isso ela [a BNCC] não faz. O como fazer é o que a gente faz na Casio. "

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Ana Cláudia Cossini Martins

Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

"Ele [o estudante] precisa ter todo um conhecimento matemático para que ele possa inserir os comandos na calculadora. A medida que a gente vai trabalhando com esses comandos matemáticos, ele vai desenvolvendo o seu raciocínio lógico-matemático ."

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Maria Regina Duarte Lima

Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

"Eu fico ansiosa esperando cada formação, porque eu saio renovada e aprendendo mais a cada formação. Porque nós educadores somos eternos estudantes."

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Paula Roberta Pereira da Silva

Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo