|
|
De professora para professores e professoras.
Quando pensamos na relação entre a BNCC e uso da calculadora em sala de aula, é comum imaginar que ela serve apenas para conferir o resultado de uma operação feita no papel. Essa percepção costuma gerar dúvidas entre professores, professoras e equipes pedagógicas: a calculadora pode contribuir para a aprendizagem da Matemática e para o desenvolvimento do raciocínio dos estudantes?
As opiniões sobre o tema variam. Para algumas pessoas, a calculadora facilita a exploração de conceitos; para outras, seu uso pode reduzir a prática do cálculo. Para discutir essa questão com mais segurança, vale olhar para as orientações curriculares e, principalmente, para a maneira como o recurso é integrado às atividades.
A Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, oferece um ponto de partida para essa conversa. O documento orienta o trabalho com competências e habilidades matemáticas ao longo da Educação Básica e considera o uso de diferentes recursos didáticos em situações que favoreçam a reflexão e a compreensão.
Na área de Matemática, a BNCC reconhece que recursos como jogos, livros, vídeos, calculadoras, planilhas eletrônicas e softwares de geometria dinâmica podem contribuir para a compreensão de noções matemáticas. O documento também ressalta que esses recursos precisam estar associados a situações que estimulem a reflexão e a sistematização dos conhecimentos.
A Base também aborda diferentes procedimentos de cálculo. Os estudantes devem desenvolver habilidades para calcular mentalmente, fazer estimativas, usar a calculadora e decidir quando cada procedimento é adequado. Portanto, o trabalho com o recurso pode fazer parte da aprendizagem matemática, desde que esteja ligado a objetivos claros e a uma proposta pedagógica.
Isso não significa que a calculadora deva estar presente em toda atividade ou que substitua o ensino de estratégias de cálculo. Significa que seu uso pode ser planejado de acordo com o que a turma precisa investigar, compreender ou resolver. A pergunta pedagógica passa a ser: o que os estudantes podem aprender com essa ferramenta nesta atividade?
Quando a calculadora aparece somente no fim de uma conta para confirmar se o resultado está correto, os estudantes podem deixar de explorar outras possibilidades oferecidas pelo recurso. Ela também pode ajudar a testar hipóteses, comparar estratégias, observar regularidades e investigar como a alteração de um número modifica o resultado.
Imagine uma atividade em que a turma investiga o que acontece quando um número é multiplicado por 0,1; 0,01 ou 0,001. A calculadora permite testar rapidamente diferentes valores. Com os resultados em mãos, os estudantes podem procurar padrões, formular explicações e verificar se suas hipóteses se confirmam.
Em outra proposta, a turma pode comparar duas estratégias para resolver um problema e analisar por que elas produzem o mesmo resultado ou resultados diferentes. O tempo poupado em cálculos repetitivos pode ser usado para interpretar as respostas, discutir procedimentos e avaliar se o resultado é razoável para a situação apresentada.
Esses exemplos ajudam a deslocar a atenção do resultado isolado para o raciocínio envolvido. A calculadora não escolhe o problema, não define qual estratégia faz sentido e não interpreta o resultado no contexto. Essas decisões continuam sendo parte do trabalho dos estudantes.
Na Educação Matemática, a ideia de pensar com tecnologias digitais está relacionada à participação da tecnologia na produção do conhecimento. A ferramenta não aparece apenas como um acessório usado depois que o raciocínio já terminou. Ela participa da atividade: permite experimentar, visualizar, comparar e construir relações matemáticas.
A expressão pensar com a calculadora pode ajudar a explicar essa perspectiva. O estudante elabora uma estratégia, decide quais operações realizar, interpreta os resultados e verifica se eles respondem ao problema. A calculadora participa desse percurso, mas o sentido matemático depende das perguntas e das decisões feitas durante a atividade.
Maurício Rosa discute, em seus estudos sobre tecnologias digitais na Educação Matemática, ideias como pensar com e saber com a tecnologia. Essa perspectiva ajuda a planejar atividades em que os estudantes interagem com o recurso para produzir conhecimento, em vez de apenas receber uma resposta pronta.
Por isso, a maneira de propor a atividade faz diferença. Se o objetivo for investigar regularidades, comparar resultados ou resolver um problema contextualizado, a calculadora pode ter uma função central. Se o objetivo for praticar um procedimento de cálculo específico, o professor pode decidir quando o recurso será usado e quais etapas os estudantes deverão explicar.
O primeiro passo é definir o objetivo de aprendizagem. A turma vai comparar estratégias? Investigar uma propriedade numérica? Resolver um problema com dados? Analisar o comportamento de uma expressão? Ter esse objetivo em mente ajuda o professor a escolher uma atividade em que o uso da calculadora tenha propósito.
Também é importante elaborar perguntas que convidem os estudantes a explicar o que fizeram. Em vez de perguntar apenas qual foi o resultado, o professor pode explorar questões como:
Essas perguntas ajudam a tornar visível o raciocínio dos estudantes e abrem espaço para que comparem caminhos diferentes. Também permitem ao professor identificar dúvidas, propor novos exemplos e retomar conceitos que ainda não estejam claros.
Outro cuidado importante é combinar expectativas. Dependendo da atividade, pode ser necessário registrar as etapas feitas sem a calculadora, justificar a escolha do recurso ou interpretar o resultado por escrito. Assim, a turma compreende que usar a ferramenta faz parte de um trabalho matemático mais amplo.
A calculadora pode contribuir quando é integrada a uma atividade que exige dos estudantes mais do que apertar teclas. Interpretar o problema, escolher operações, antecipar resultados, analisar padrões e avaliar respostas são ações que podem fazer parte de propostas com esse recurso.
Isso não acontece automaticamente. A presença da tecnologia, por si só, não garante aprendizagem. O planejamento precisa conectar o recurso ao conteúdo, ao objetivo da aula e às perguntas que orientarão a investigação. Também cabe ao professor acompanhar o processo e criar oportunidades para que os estudantes expliquem o que compreenderam.
Quando esse planejamento existe, a calculadora pode participar de uma aprendizagem em que o estudante formula estratégias e interpreta resultados. O foco deixa de estar apenas na resposta final e passa a incluir o caminho percorrido para resolver o problema.
A resolução de problemas oferece um contexto produtivo para integrar a calculadora ao ensino de Matemática. Diante de uma situação, os estudantes podem compreender o enunciado, selecionar informações, elaborar uma estratégia, usar a ferramenta quando ela for pertinente e interpretar a resposta encontrada.
Nessa abordagem, a calculadora não encerra o raciocínio. Ela pode ajudar a ampliar as possibilidades de exploração e liberar tempo para que a turma se concentre em decisões matemáticas importantes. O professor, por sua vez, pode observar como os estudantes usam o recurso e orientar a construção de estratégias cada vez mais consistentes.
Para refletir: em quais atividades da sua turma a calculadora poderia ajudar os estudantes a investigar, comparar estratégias ou identificar padrões matemáticos?
Por Juliana Çar Stal
Professora de Matemática da Educação Básica e doutoranda em Educação Matemática pela Universidade Estadual Paulista, UNESP.
Mantenha-se atualizado com as últimas notícias e obtenha treinamentos e recursos da Divisão Educativa da Casio!
Lorem ipsum dolor sit amet consectetur. Risus aenean sed vivamus iaculis. Adipiscing nibh sed pellentesque proin ut suspendisse. Sit nunc et eu amet. Enim mi enim nam vitae magna cras nullam amet.
Ana Cláudia Cossini Martins
Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
Lorem ipsum dolor sit amet consectetur. Risus aenean sed vivamus iaculis. Adipiscing nibh sed pellentesque proin ut suspendisse. Sit nunc et eu amet. Enim mi enim nam vitae magna cras nullam amet.
Maria Regina Duarte Lima
Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
Lorem ipsum dolor sit amet consectetur. Risus aenean sed vivamus iaculis. Adipiscing nibh sed pellentesque proin ut suspendisse. Sit nunc et eu amet. Enim mi enim nam vitae magna cras nullam amet.
Paula Roberta Pereira da Silva
Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo