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O design thinking na educação pode ajudar professores e estudantes a investigar desafios reais, compreender diferentes necessidades e criar soluções que possam ser experimentadas e aprimoradas. A proposta coloca os estudantes em uma posição ativa: eles observam, fazem perguntas, compartilham ideias e aprendem ao longo do processo.
Essa abordagem também cria oportunidades para relacionar os conteúdos escolares a situações vividas dentro e fora da sala de aula. Em vez de começar pela resposta, a turma parte de uma questão que merece ser compreendida e explora caminhos possíveis para enfrentá-la.
Neste artigo, você vai conhecer o conceito de design thinking, entender onde ele é usado, descobrir seus benefícios para a aprendizagem e ver como aplicar cinco etapas em uma situação concreta de sala de aula.
Design thinking é uma abordagem para compreender problemas e criar soluções com atenção às pessoas que serão afetadas por elas. O processo combina observação, colaboração, geração de ideias, experimentação e aprendizagem com os resultados. Seu ponto de partida é investigar a situação antes de decidir qual solução deve ser adotada.
A palavra design pode lembrar, à primeira vista, a criação de objetos ou peças visuais. Nesse contexto, porém, design também se refere ao ato de planejar e desenvolver respostas para necessidades. Uma solução pode ser um produto, um serviço, uma atividade, uma nova forma de organizar um espaço ou uma mudança em um processo.
A abordagem é centrada nas pessoas. Isso significa conversar com quem vive o desafio, observar o contexto, escutar diferentes pontos de vista e evitar presumir que todos tenham a mesma experiência. A equipe usa essas informações para formular melhor o problema e criar propostas que façam sentido para aquele grupo.
O design thinking é aplicado em áreas como educação, saúde, negócios, tecnologia, serviços públicos e desenvolvimento de produtos. Em cada contexto, as equipes podem adaptar as ferramentas e a organização do trabalho. Não existe um único roteiro que precise ser seguido da mesma maneira em todos os projetos.
Na escola, a abordagem pode apoiar projetos interdisciplinares, atividades de investigação e desafios ligados à comunidade. O professor define condições e objetivos de aprendizagem, enquanto os estudantes participam da compreensão do problema e da construção de propostas. Assim, o processo pode aproximar conhecimentos curriculares de situações concretas.
O valor do design thinking não está apenas em chegar a uma ideia diferente. Ao investigar uma situação, discutir alternativas, criar uma representação da solução e receber retorno, os estudantes têm oportunidades para praticar conhecimentos e habilidades em conjunto. O professor também consegue observar como eles explicam suas escolhas, colaboram e revisam o próprio trabalho.
Quando o desafio tem relação com a vida da turma ou da comunidade, os conteúdos podem ganhar um propósito mais visível. Em um projeto sobre desperdício de água, por exemplo, os estudantes podem mobilizar matemática para organizar dados, ciências para compreender o consumo e língua portuguesa para apresentar uma proposta. A atividade não substitui o ensino dos conteúdos: oferece um contexto para investigá-los e aplicá-los.
Investigar uma pergunta, levantar hipóteses e perceber que as ideias da turma serão consideradas pode aumentar o envolvimento com a atividade. Os estudantes deixam de acompanhar apenas uma explicação pronta e passam a contribuir para uma produção coletiva. O interesse também depende de o desafio ser compreensível, viável e adequado à idade e aos conhecimentos da turma.
A criatividade pode ser exercitada quando os estudantes exploram mais de uma resposta possível. Em vez de buscar imediatamente a ideia perfeita, eles podem propor caminhos, comparar alternativas e construir versões simples para descobrir o que funciona. Essa prática ajuda a perceber que criar também envolve selecionar, adaptar e revisar.
Conversar com as pessoas afetadas pelo problema ajuda a turma a considerar necessidades e experiências diferentes das próprias. O trabalho em grupo cria situações em que os estudantes precisam ouvir, explicar ideias, dividir tarefas e tomar decisões. O professor pode orientar essa colaboração para que a participação não fique concentrada em poucas pessoas.
Ao comparar propostas e observar os resultados de um teste, os estudantes podem aprender a justificar escolhas com evidências e a reconhecer limites. O processo incentiva a revisão de ideias e a tomada de decisões, ao mesmo tempo que permite ao professor acompanhar o raciocínio da turma e propor intervenções durante o projeto.
Uma forma conhecida de organizar o processo apresenta cinco etapas:

As etapas ajudam a organizar o trabalho, mas não formam uma receita rígida. A turma pode voltar a uma etapa anterior quando uma conversa, um teste ou uma nova informação mostrar que o desafio precisa ser revisto. O processo também pode ser adaptado ao tempo disponível, à faixa etária dos estudantes e aos objetivos de aprendizagem.
Alguns materiais incluem ainda a implementação, que corresponde a colocar uma solução em prática. Neste artigo, o foco está nas cinco etapas de Empatizar, Definir, Idealizar, Prototipar e Testar. Depois dos testes e dos ajustes, a implementação pode acontecer em um momento posterior.
Clique em cada pergunta para conhecer o papel de uma etapa:
É conhecer as pessoas envolvidas e compreender suas experiências, necessidades e dificuldades. Isso pode acontecer por meio de conversas, observações, perguntas e análise do contexto. O objetivo é evitar que a turma defina o problema com base apenas em suposições.
É organizar o que foi aprendido na etapa de empatia e formular com clareza o desafio que a turma pretende enfrentar. Uma boa definição delimita o foco do projeto e considera para quem a solução será pensada. Uma pergunta como “Como poderíamos tornar o descarte de resíduos mais simples na escola?” ajuda a orientar a investigação sem antecipar uma resposta.
É gerar e explorar diferentes possibilidades para responder ao desafio definido. Os estudantes podem fazer uma rodada de ideias, combinar propostas e selecionar algumas para desenvolver. Nesta etapa, é útil adiar julgamentos iniciais para que a turma considere alternativas antes de escolher o que será testado.
É criar uma versão simples e provisória de uma ideia para torná-la mais concreta. Um protótipo pode ser um desenho, uma maquete, um roteiro, uma encenação, um cartaz ou uma simulação. Ele não precisa estar pronto para uso: serve para comunicar uma proposta e permitir que a turma aprenda com ela.
É apresentar o protótipo a pessoas que possam avaliá-lo e observar como a proposta responde ao desafio. A turma coleta comentários, identifica dúvidas e percebe o que precisa ser alterado. Testar pode levar a uma nova versão do protótipo ou até a uma revisão da definição do problema.
Para acompanhar as cinco etapas em um exemplo, imagine que a turma queira investigar como tornar a separação de resíduos mais clara na escola. O projeto pode começar com uma pergunta simples, mas precisa ser adaptado à realidade da instituição, ao tempo disponível e aos objetivos de aprendizagem.
Antes de sugerir novas lixeiras ou cartazes, os estudantes investigam como o descarte acontece. Podem observar os espaços da escola, conversar com colegas, professores e funcionários responsáveis pela limpeza e registrar dúvidas frequentes. Algumas perguntas possíveis são: onde as pessoas descartam os resíduos? Quais materiais geram mais dúvida? Em que momentos as lixeiras ficam cheias?
O professor ajuda a turma a organizar as observações e a considerar diferentes perspectivas. É importante que os estudantes não atribuam a dificuldade a um grupo sem investigar o contexto, como a localização das lixeiras, a identificação dos recipientes ou a rotina de coleta.
Com as informações reunidas, a turma identifica um foco que possa ser trabalhado. Talvez perceba que muitos estudantes não sabem em qual recipiente descartar embalagens de lanche. Nesse caso, o desafio pode ser formulado assim: “Como poderíamos ajudar os estudantes a identificar onde descartar as embalagens usadas no intervalo?”
Essa definição transforma uma questão ampla em uma pergunta que orienta o projeto. Ela não determina qual será a resposta: apenas deixa mais claro o que a turma está tentando melhorar e para quem.
Em grupos, os estudantes podem propor maneiras de tornar o descarte mais compreensível. As ideias talvez incluam etiquetas com exemplos de resíduos, ilustrações, um mapa das lixeiras, uma campanha criada pela turma ou uma breve orientação para os estudantes mais novos. Depois de reunir possibilidades, cada grupo compara as propostas e escolhe uma ou mais para desenvolver.
A escolha pode considerar critérios como clareza, custo, tempo de produção e adequação ao espaço. Essa discussão ajuda os estudantes a explicar por que uma proposta parece promissora e que informações ainda precisam confirmar.
Cada grupo cria uma versão simples da ideia escolhida. Pode desenhar uma etiqueta, montar um cartaz provisório com papel reutilizado, preparar um mapa ou encenar como seria a orientação durante o intervalo. O protótipo torna a proposta visível e permite conversar sobre detalhes que poderiam passar despercebidos enquanto ela estivesse apenas no campo das ideias.
A turma também pode decidir o que deseja descobrir com o protótipo. Por exemplo: as instruções estão claras? Os exemplos ajudam a identificar o recipiente? O cartaz pode ser lido do local onde ficará instalado?
Os grupos apresentam o protótipo a colegas ou a outras pessoas da comunidade escolar e observam como elas reagem. Podem pedir que expliquem o que entenderam, perguntar o que ficou confuso e anotar sugestões. O objetivo não é apenas receber elogios, mas descobrir o que precisa ser ajustado para que a proposta seja mais compreensível e útil.
Com base no retorno recebido, os estudantes podem revisar textos, imagens, cores ou a localização prevista para o material. Se a proposta ainda não responder ao desafio, a turma pode testar outra ideia ou retomar as observações iniciais. Essa revisão faz parte do processo de aprendizagem.
Aplicar design thinking não significa deixar os estudantes sem orientação ou transformar toda atividade em um projeto aberto. O professor define objetivos de aprendizagem, apresenta limites importantes, seleciona um desafio adequado e ajuda a turma a organizar o trabalho. Também pode ensinar os conteúdos necessários para que as propostas sejam fundamentadas.
Durante as etapas, o professor faz perguntas que ajudam os estudantes a aprofundar a investigação: que evidências temos? Quem ainda não foi ouvido? O que essa ideia precisa resolver? Como podemos descobrir se ela funciona? Essas perguntas mantêm o foco no aprendizado e ajudam a turma a justificar as decisões.
O professor também pode ajustar a duração do projeto. Uma atividade curta pode trabalhar apenas parte do processo; um projeto maior pode incluir pesquisa, produção, testes e apresentações. Em ambos os casos, o mais importante é que os estudantes compreendam o desafio, tenham oportunidade de contribuir e reflitam sobre o que aprenderam.
O design thinking pode apoiar práticas de ensino que aproximam investigação, colaboração e criação. Ao conhecer as pessoas envolvidas, definir um desafio, explorar ideias, construir protótipos e testar propostas, os estudantes têm a oportunidade de aplicar conhecimentos e aprender com diferentes perspectivas.
As cinco etapas oferecem uma estrutura inicial para planejar esse trabalho, mas podem ser adaptadas à turma e ao contexto. Quando o processo inclui escuta, objetivos claros e tempo para revisar as ideias, a sala de aula pode se tornar um espaço para investigar problemas e construir respostas com participação e propósito.
Que desafio da sua escola poderia ser investigado com os estudantes? Pensar em uma situação próxima da turma pode ser um bom começo para planejar uma atividade com design thinking.
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Ana Cláudia Cossini Martins
Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Maria Regina Duarte Lima
Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Paula Roberta Pereira da Silva
Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo