Atividade de estatística sobre dengue no Ensino Médio

CASIO Educação
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19 de dezembro de 2023
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Tempo de leitura: 30 minutos

Uma atividade de estatística sobre dengue pode aproximar os conteúdos matemáticos de uma questão de saúde pública e ajudar os estudantes a interpretar dados do lugar onde vivem. Em uma proposta desenvolvida com alunos da segunda série do Ensino Médio, a pergunta inicial foi: os casos de dengue têm relação direta com a quantidade de chuva?

A partir dessa questão, os estudantes analisaram dados de precipitação média anual e casos de dengue na cidade de Bauru. A atividade reuniu calculadora científica, Excel e GeoGebra em uma abordagem investigativa para discutir medidas de tendência central, medidas de dispersão e análise bivariada por regressão linear.

O trabalho mostra como uma pergunta sobre o cotidiano pode levar a discussões estatísticas, ao uso de diferentes tecnologias e a reflexões sobre prevenção. A proposta foi elaborada por Franciele Santos Teixeira, da Unesp, e Leandra dos Santos, da Escola Estadual Professora Fanny Altafim Maciel.

Uma pergunta de investigação para a aula de Estatística

A atividade começa com uma inquietação: será que os casos de dengue aumentam sempre que chove mais? A pergunta é acessível, mas não tem uma resposta que possa ser dada apenas pela observação de um dia ou pela comparação de dois números. Para investigá-la, é preciso reunir dados, organizar informações e analisar se existe uma tendência entre as variáveis.

Essa escolha coloca os estudantes diante de uma questão real e, ao mesmo tempo, cria uma situação para mobilizar conceitos estatísticos. Em vez de receberem um conjunto de dados sem contexto, eles são convidados a pensar no que gostariam de descobrir e em quais informações poderiam ajudar a responder à pergunta.

Na proposta, foram analisadas a precipitação média anual e os casos de dengue registrados em Bauru. Os dados permitem observar duas variáveis e investigar como elas se comportam em conjunto. Essa relação pode ser representada em um gráfico de dispersão, no qual cada ponto corresponde a um par de valores: um para a precipitação e outro para os casos de dengue.

A visualização ajuda a turma a procurar padrões, perceber diferenças entre os anos e discutir se uma linha reta parece representar adequadamente a relação observada. Assim, o gráfico não entra apenas como ilustração: ele se torna parte da análise.

Como entram as medidas estatísticas

A atividade propõe discutir medidas de tendência central e de dispersão. As medidas de tendência central ajudam a resumir um conjunto de valores, enquanto as medidas de dispersão descrevem o quanto eles variam ou se afastam de uma referência.

A média, por exemplo, pode resumir valores de precipitação ou de casos em um período definido. Mas ela não revela como os valores se distribuíram ao longo dos anos. Dois conjuntos podem ter a mesma média e apresentar variações muito diferentes. Por isso, a leitura de uma medida central ganha força quando é acompanhada pela observação dos dados e de sua dispersão.

Essa distinção pode ser explorada com perguntas como: os valores ficaram próximos da média? Houve anos muito diferentes dos demais? A média representa bem o conjunto ou algum valor extremo influenciou o resultado? As respostas ajudam os estudantes a compreender que um resumo numérico não substitui a análise dos dados que lhe deram origem.

Ao relacionar precipitação e casos de dengue, a turma também pode comparar os pares de valores em uma tabela e no gráfico. Alternar entre representações ajuda a perceber que cada ferramenta destaca aspectos diferentes: a tabela registra os valores; o gráfico evidencia padrões e dispersões; as medidas sintetizam características do conjunto.

O que a regressão linear permite investigar

Depois de observar os dados, a atividade propõe uma análise bivariada por regressão linear. A regressão permite ajustar uma reta a um conjunto de pontos e examinar se esse modelo descreve uma tendência linear entre as variáveis analisadas.

No relato, a discussão com os estudantes levou à conclusão de que a relação entre precipitação e casos de dengue não era proporcional, considerando a dispersão dos pontos no gráfico. Esse tipo de leitura é uma oportunidade para conversar sobre o alcance de um modelo: uma reta pode ajudar a resumir uma tendência, mas não explica sozinha todos os fatores envolvidos em um fenômeno.

Também é importante interpretar a dispersão com cuidado. Pontos espalhados indicam que uma reta pode não representar bem os dados, mas a aparência do gráfico, sozinha, não responde a todas as perguntas sobre a relação entre as variáveis. A conclusão depende do conjunto analisado, do período considerado e dos critérios escolhidos para avaliar o ajuste.

Esse cuidado pode ser incorporado à discussão em sala. O que a reta sugere? Os pontos ficam próximos dela? Há anos que se afastam bastante da tendência? O que o modelo consegue resumir e o que permanece fora da análise? Perguntas assim estimulam os estudantes a justificar suas conclusões com base nas representações e nos dados disponíveis.

A análise apresentada no trabalho usa valores anuais. Esse recorte é adequado ao objetivo descrito pelos autores, mas também pode abrir uma conversa sobre como a escolha do período de agregação influencia a interpretação. Um resumo anual não mostra necessariamente variações que ocorreram dentro de cada ano. Reconhecer esse limite não invalida a atividade: ajuda a turma a compreender que todo modelo depende das informações usadas para construí-lo.

Calculadora científica, Excel e GeoGebra na atividade

A proposta foi elaborada com tecnologias em sala de aula, em especial calculadora científica, Excel e GeoGebra. O uso de mais de uma ferramenta permite explorar diferentes etapas do trabalho com dados, da organização dos valores à análise gráfica.

A calculadora científica pode apoiar cálculos estatísticos e ajudar os estudantes a conferir resultados. O Excel facilita a organização dos dados em tabelas e a realização de operações com conjuntos de valores. Já o GeoGebra permite construir e explorar representações gráficas. A atividade descrita articula esses recursos com a discussão matemática e com o contexto investigado.

O valor pedagógico não está apenas em obter respostas com mais rapidez. As tecnologias podem liberar tempo para comparar resultados, discutir escolhas e interpretar o que as representações mostram. O professor continua tendo papel essencial ao propor perguntas, orientar a leitura dos dados e ajudar a turma a avaliar as conclusões.

Também é possível discutir a confiabilidade dos procedimentos. Os dados foram digitados corretamente? As unidades estão identificadas? Os gráficos apresentam os eixos de forma clara? A reta de regressão responde à pergunta inicial? Conferir essas escolhas faz parte da aprendizagem estatística, tanto quanto realizar os cálculos.

Chuva e dengue: interpretar sem simplificar

A pergunta da atividade também permite ampliar a discussão para além do gráfico. A chuva pode contribuir para o acúmulo de água, que favorece a proliferação do mosquito transmissor da dengue. O Ministério da Saúde informa que a transmissão costuma ser maior nos meses mais chuvosos de cada região e destaca a importância de evitar água parada. Veja as informações do Ministério da Saúde sobre a dengue.

Isso não significa que a quantidade de chuva, isoladamente, explique o número de casos. A relação envolve condições ambientais e ações de prevenção, entre outros aspectos que não são representados por duas variáveis em um gráfico. Por isso, o resultado da regressão deve ser interpretado dentro do recorte estudado, sem transformar uma associação estatística em explicação causal.

Essa conversa é especialmente relevante para a formação dos estudantes. Ao analisar dados de saúde pública, eles podem perceber que uma questão coletiva exige diferentes formas de conhecimento e ação. O estudo estatístico ajuda a formular perguntas e interpretar informações, enquanto a prevenção depende de medidas que envolvem a comunidade e os serviços responsáveis.

Ao final da atividade, os estudantes concluíram que a dengue é um problema coletivo e depende de mais ações de prevenção do que considerar apenas a quantidade de chuvas. A conclusão conecta o conteúdo matemático a uma reflexão social e reforça a importância de analisar os dados dentro de seu contexto.

Uma atividade de Estatística com contexto e investigação

A experiência com a turma da segunda série do Ensino Médio mostra como conteúdos de Estatística podem ser trabalhados a partir de um problema próximo da realidade dos estudantes. A análise de precipitação e casos de dengue em Bauru mobiliza medidas estatísticas, leitura de gráficos, regressão linear e uso de tecnologias digitais.

Mais do que chegar a uma equação ou calcular uma medida, a proposta convida os estudantes a perguntar o que os dados mostram, como as variáveis se relacionam e quais limites devem ser considerados antes de tirar conclusões. Esse percurso ajuda a fazer da Estatística uma ferramenta para investigar situações e participar de discussões sobre questões coletivas.

Confira o trabalho completo

O relato de experiência foi produzido por Franciele Santos Teixeira, da Unesp, e Leandra dos Santos, da Escola Estadual Professora Fanny Altafim Maciel. O trabalho foi apresentado no III Simpósio Internacional de Tecnologias em Educação Matemática.

Acesse a página do evento para consultar o trabalho completo:

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Que perguntas sobre dados do cotidiano podem ajudar seus alunos a conectar a Estatística com questões importantes para a comunidade?

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"Porque a BNCC não te diz como fazer. A BNCC diz que é importante que se use [calculadoras]. É importante que se leve para sala de aula as tecnologias, a calculadora ou uma planilha. Mas o como fazer, isso ela [a BNCC] não faz. O como fazer é o que a gente faz na Casio. "

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Ana Cláudia Cossini Martins

Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

"Ele [o estudante] precisa ter todo um conhecimento matemático para que ele possa inserir os comandos na calculadora. A medida que a gente vai trabalhando com esses comandos matemáticos, ele vai desenvolvendo o seu raciocínio lógico-matemático ."

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Maria Regina Duarte Lima

Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

"Eu fico ansiosa esperando cada formação, porque eu saio renovada e aprendendo mais a cada formação. Porque nós educadores somos eternos estudantes."

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Paula Roberta Pereira da Silva

Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo