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A modelagem matemática no Ensino Médio envolve usar a Matemática para representar, analisar e resolver problemas do mundo real. Para desenvolver esse tipo de raciocínio, os estudantes precisam compreender as relações entre as grandezas envolvidas, observar como elas variam e justificar as escolhas feitas ao construir um modelo.
Na prática, porém, muitos professores percebem um desafio recorrente. Os alunos até conseguem fazer cálculos, mas têm dificuldade em construir modelos com significado, explicar relações e justificar escolhas.
É muito comum a aula de funções ficar restrita à substituição de valores em fórmulas prontas. O aluno resolve, mas não necessariamente compreende o que está acontecendo: de onde vêm os valores, o que eles representam ou por que aquela expressão descreve a situação apresentada.
É exatamente nesse ponto que atividades com tabelas podem fazer diferença. Elas ajudam a organizar as informações antes da construção de uma expressão algébrica e tornam mais visíveis as relações entre as grandezas.
A tabela funciona como uma ponte entre a situação-problema e a expressão algébrica. Antes de chegar a uma fórmula, o estudante pode organizar os dados, observar o que acontece quando uma grandeza muda e procurar regularidades nos valores registrados.
Esse registro também oferece uma forma concreta de voltar à situação apresentada. Ao olhar para cada par de valores, a turma pode discutir o que cada número representa e como uma mudança em uma grandeza se relaciona com a outra. Assim, os dados não ficam soltos: passam a ser analisados dentro do contexto do problema.
Quando o estudante preenche, amplia ou analisa uma tabela, começa a responder perguntas fundamentais para a modelagem:
O que está mudando?
Como está mudando?
Essa variação é constante ou não?
Essas perguntas convidam os alunos a observar e comparar antes de aplicar um procedimento. Em vez de receber uma expressão pronta e apenas substituir valores, eles podem investigar como a relação se comporta e quais características precisam ser consideradas para representá-la.
Esse tipo de raciocínio é essencial para a construção de funções e está diretamente alinhado à habilidade EM13MAT302, que propõe a construção de modelos com funções polinomiais de 1º ou 2º grau em diferentes contextos, com ou sem apoio de tecnologias digitais.
Quando utilizamos a ClassWiz, esse processo pode se tornar mais fluido e pedagógico. O aplicativo Tabela não serve apenas para “ganhar tempo”, mas para qualificar a discussão matemática em sala.
Com ele, o aluno pode:
Na prática, isso amplia o tempo didático disponível para o que realmente importa: discutir ideias, levantar hipóteses, confrontar estratégias e justificar conclusões.
Por exemplo, a turma pode comparar os valores registrados, descrever o padrão que percebe e discutir se ele se mantém quando são considerados outros valores. O professor pode perguntar quais dados sustentam uma conclusão, como os alunos chegaram a essa interpretação e o que ainda precisam verificar.
A tabela, então, deixa de ser apenas um lugar para preencher resultados. Ela se torna um apoio para organizar observações e fundamentar a conversa matemática. O recurso digital agiliza a exploração dos valores, enquanto a interpretação e a argumentação continuam no centro da atividade.
A tabela deixa de ser um fim e passa a ser um meio para pensar matematicamente.
Outro ponto importante é que a tabela ajuda o aluno a entender o papel da função como modelo, e não apenas como uma expressão algébrica.
Ao analisar os dados, o estudante pode perceber que uma função nasce da necessidade de representar uma relação observada. A expressão algébrica deixa de parecer uma regra isolada que precisa ser memorizada e passa a ter relação com os valores, com as grandezas e com o comportamento identificado na situação.
Essa compreensão também cria oportunidades para comparar diferentes representações. A situação-problema apresenta o contexto; a tabela organiza pares de valores; a expressão algébrica representa uma relação de maneira geral. Cada forma de registro ajuda a observar aspectos diferentes do mesmo problema.
O professor pode conduzir essa passagem com perguntas que peçam aos alunos para explicar como interpretaram os dados, quais relações identificaram e por que consideram que uma expressão representa o padrão observado. O objetivo é fazer com que a construção do modelo tenha justificativa, em vez de ser apenas uma etapa de manipulação simbólica.
Nesse cenário, a tecnologia não substitui o raciocínio do aluno nem o papel do professor. Pelo contrário: expande as possibilidades de investigação. Cabe ao professor conduzir as perguntas certas, provocar comparações e ajudar o estudante a transformar observações em generalizações matemáticas.
Se o objetivo é desenvolver modelagem matemática de forma consistente, atividades com tabelas precisam ocupar um lugar central na aula de funções. Elas ajudam o aluno a sair do cálculo isolado e entrar no campo da interpretação, da argumentação e da construção de sentido.
Na live “Preparação para Maratona com a ClassWiz”, aprofundamos como estruturar esse tipo de atividade. O vídeo mostra como usar tabelas de forma intencional, alinhada à BNCC, e como conduzir a aula de maneira investigativa, com exemplos prontos para aplicação em sala.
Veja a proposta em prática
Assista ao vídeo e veja como levar essa abordagem para a sua prática em sala de aula.
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Ana Cláudia Cossini Martins
Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Maria Regina Duarte Lima
Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
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Paula Roberta Pereira da Silva
Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo