|
|
As tecnologias digitais no ensino de Matemática podem ampliar as formas de explorar conceitos, representar ideias e resolver problemas. Entre esses recursos, as calculadoras costumam ser associadas à realização de operações. Mas será que elas também podem ajudar os estudantes a investigar relações matemáticas e construir conhecimento?
Essa questão está no centro do material Tecnologias Digitais para o ensino e aprendizagem de Matemática, produzido pelo pesquisador João Victor Gonçalves do Carmo, da Unesp. A partir de uma revisão inicial de literatura, o trabalho articula dissertações, artigos e teses sobre o uso de tecnologias digitais na Educação Matemática, com atenção especial às calculadoras.
Uma das reflexões apresentadas é que as calculadoras podem passar despercebidas no planejamento pedagógico, mesmo quando estão disponíveis. O material também aborda paradigmas relacionados à implementação desse recurso e propõe pensar a calculadora como instrumento de investigação, em vez de restringi-la à geração de resultados.
A presença de uma tecnologia na sala de aula, por si só, não define o que os estudantes vão aprender com ela. O papel do recurso depende da atividade proposta, das perguntas feitas pelo professor e da maneira como a turma interpreta os resultados.
Uma calculadora pode ser usada para efetuar uma operação já conhecida. Também pode ser integrada a uma tarefa em que os alunos testam valores, comparam resultados e procuram padrões. No segundo caso, o recurso participa de uma exploração matemática, pois os estudantes precisam observar o que acontece e explicar o que perceberam.
Essa diferença ajuda a compreender por que o debate sobre tecnologias digitais não se resume a decidir se a calculadora deve ou não ser usada. É necessário pensar em que situações ela contribui para a aprendizagem e quais objetivos podem ser alcançados com sua presença.
O material de João Victor Gonçalves do Carmo se concentra justamente nessa reflexão. Ao reunir diferentes pesquisas e produções acadêmicas, busca traçar um fio condutor entre elas: as calculadoras podem ser consideradas recursos pedagógicos para a investigação matemática, e não apenas ferramentas que executam algoritmos.
Quando usada como recurso pedagógico, a calculadora pode apoiar diferentes etapas do trabalho matemático. Ela pode ajudar a realizar cálculos, mas também a conferir uma hipótese, explorar uma sequência de valores ou observar como uma mudança na expressão altera o resultado.
Imagine uma atividade em que os estudantes investigam o comportamento de uma expressão para diferentes valores. Eles podem antecipar o que esperam encontrar, inserir os valores na calculadora, registrar os resultados e procurar regularidades. Depois, podem discutir se o padrão observado se mantém e como justificar essa conclusão.
A calculadora também pode ajudar a comparar estratégias. Dois grupos podem resolver um mesmo problema por caminhos diferentes e usar o recurso para conferir os cálculos. A conversa pode se concentrar nas escolhas feitas: quais operações foram necessárias, por que determinada estratégia funcionou e o que poderia ser feito para verificar o resultado.
Nessas situações, a resposta numérica é apenas uma parte do trabalho. Os estudantes também precisam comunicar como pensaram, identificar relações entre os dados e sustentar suas conclusões. A tecnologia pode apoiar esse processo, enquanto a interpretação matemática continua sendo essencial.
Isso não significa que toda atividade com calculadora se torne investigativa automaticamente. Para que haja investigação, a proposta precisa abrir espaço para que os estudantes façam escolhas, formulem perguntas, testem possibilidades e discutam os resultados.
Uma possibilidade é propor que os estudantes façam uma previsão antes de usar a calculadora. Depois de obter os resultados, eles podem comparar o que esperavam com o que observaram. Se houver uma diferença, vale investigar sua origem: a hipótese inicial precisava ser revista? Algum valor foi inserido de maneira incorreta? A expressão foi interpretada como planejado?
Esse percurso ajuda a tratar o erro como parte da aprendizagem. Em vez de apenas substituir uma resposta considerada incorreta, a turma pode analisar o caminho que levou até ela. A calculadora facilita a verificação de novas tentativas, mas cabe aos estudantes compreender o que cada resultado significa.
O professor pode orientar a discussão com perguntas como:
Perguntas desse tipo ajudam a deslocar a atenção do simples uso das teclas para o raciocínio envolvido. A calculadora se torna um apoio para testar ideias, enquanto a aprendizagem depende também de observar, argumentar e justificar.
A implementação de tecnologias digitais nas aulas pode trazer questionamentos para professores e estudantes. Um deles é o receio de que o uso da calculadora reduza a prática de cálculos mentais ou escritos. Esse ponto pode ser considerado no planejamento sem que a tecnologia precise ser excluída das atividades.
Diferentes formas de calcular podem ter objetivos distintos. Em algumas situações, o cálculo mental é importante para estimar resultados e desenvolver familiaridade com os números. Em outras, resolver uma operação manualmente ajuda a compreender um procedimento. Já em atividades que envolvem muitas tentativas, a calculadora pode permitir que a turma dedique mais tempo à análise matemática.
O planejamento pode combinar essas abordagens. Antes de usar a calculadora, os estudantes podem estimar uma resposta; depois, comparar a estimativa com o resultado obtido. Em outra atividade, podem resolver uma etapa manualmente e usar a ferramenta para conferir. O importante é que a escolha do recurso tenha relação com o propósito da aula.
Outro desafio é o acesso. Nem todos os estudantes podem ter o mesmo tipo de calculadora ou dispositivo. A organização em duplas ou grupos e o compartilhamento dos equipamentos são algumas possibilidades para ampliar a participação, de acordo com os recursos disponíveis na escola.
A formação docente também merece atenção. Conhecer as funções de uma calculadora é útil, mas o professor precisa refletir sobre como elas podem ser articuladas ao conteúdo. A pergunta pedagógica não é somente qual função usar, mas que tipo de exploração ela pode apoiar e como os estudantes vão analisar o que encontrarem.
Em uma atividade investigativa, o professor organiza as condições para que a turma explore uma ideia e acompanha o raciocínio dos estudantes. Isso pode envolver escolher um problema, propor perguntas que ajudem a avançar e incentivar que diferentes estratégias sejam compartilhadas.
A calculadora não substitui essa mediação. Ela pode fornecer resultados e facilitar testes, mas não decide quais perguntas são relevantes, nem explica sozinha o que os dados revelam. O professor ajuda os alunos a relacionar o que observaram com os conceitos matemáticos em estudo.
Também é possível avaliar mais do que a resposta final. Os estudantes podem ser convidados a registrar as hipóteses formuladas, descrever os testes realizados e apresentar argumentos para suas conclusões. Assim, o processo de investigação fica visível e pode ser discutido coletivamente.
Essa perspectiva se aproxima do propósito destacado no material do pesquisador: articular reflexões sobre calculadoras para compreendê-las como recursos de investigação e de produção de conhecimento matemático.
As tecnologias digitais podem fazer parte de diferentes propostas de ensino e aprendizagem de Matemática. Para que contribuam com o trabalho em sala, sua presença precisa estar ligada a objetivos claros e a atividades que façam sentido para os estudantes.
No caso das calculadoras, isso significa olhar além da rapidez dos cálculos. O recurso pode ajudar a testar hipóteses, comparar resultados e explorar relações, desde que a proposta incentive a interpretação e a argumentação matemática.
O material de João Victor Gonçalves do Carmo, produzido pela Unesp, reúne uma revisão inicial de dissertações, teses e artigos sobre tecnologias digitais e calculadoras na Educação Matemática. A leitura pode contribuir para ampliar a discussão sobre como esse recurso aparece no planejamento e que possibilidades investigativas pode oferecer.
Para conhecer o trabalho completo de João Victor Gonçalves do Carmo, acesse o arquivo disponibilizado pelo pesquisador:
Que ideias matemáticas seus alunos poderiam investigar com o apoio de uma calculadora?
Mantenha-se atualizado com as últimas notícias e obtenha treinamentos e recursos da Divisão Educativa da Casio!
Lorem ipsum dolor sit amet consectetur. Risus aenean sed vivamus iaculis. Adipiscing nibh sed pellentesque proin ut suspendisse. Sit nunc et eu amet. Enim mi enim nam vitae magna cras nullam amet.
Ana Cláudia Cossini Martins
Professora Especialista em Currículo (Física)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
Lorem ipsum dolor sit amet consectetur. Risus aenean sed vivamus iaculis. Adipiscing nibh sed pellentesque proin ut suspendisse. Sit nunc et eu amet. Enim mi enim nam vitae magna cras nullam amet.
Maria Regina Duarte Lima
Professora Especialista em Currículo (Matemática)
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo
Lorem ipsum dolor sit amet consectetur. Risus aenean sed vivamus iaculis. Adipiscing nibh sed pellentesque proin ut suspendisse. Sit nunc et eu amet. Enim mi enim nam vitae magna cras nullam amet.
Paula Roberta Pereira da Silva
Professora Componente Física
Secretaria de Educação do Estado de São Paulo